Bebedouros "anti-covid" podem facilitar protocolos na retomada das aulas em BH


A retomada do ensino presencial já começa a dar os primeiros passos em Belo Horizonte. Um dos desafios enfrentados pelos gestores é a logística para o fornecimento de água aos alunos, já que a prefeitura determinou algumas regras que exigirão uma grande adaptação por parte das instituições de ensino, além da conscientização e engajamento dos estudantes. Porém, um dispositivo, que já é utilizado por empresas, órgãos públicos e até em algumas escolas, pode ser um facilitador neste processo: o ÁguaàLaser, invenção mineira que dispensa o contato com torneiras e botões para pegar água em garrafas e copos por meio de bebedouros.

O uso do bebedouro com jato inclinado, aquele em que a pessoa bebe água direto da bica e que o contato manual para o acionamento da torneira é necessário, não é recomendado pela Anvisa e já foi proibido pela Prefeitura de Belo Horizonte. O Executivo Municipal determina a utilização de um copo ou garrafinha individual e a instalação de uma pia ou dispensador de álcool em gel ao lado do bebedouro, para que os usuários higienizem as mãos antes e após tocar os bebedouros. Para as crianças com menos de 11 anos, a utilização do álcool 70% deve ser feita com a supervisão de um adulto. Outro fator de destaque é a higienização completa do bebedouro após a utilização dos alunos por uma turma, ou seja, a cada vez que um agrupamento de alunos acabar de utilizar o equipamento, ele deverá ser completamente limpo para que não tenha risco de contaminação entre alunos de salas diferentes.

Toda essa logística para se beber água é muito dispendiosa, tanto em relação ao custo para adotar tais medidas preventivas, quanto à execução prática das medidas em si. Entretanto, esse quantitativo de recomendações nas escolas pode ser facilitado com a utilização do ÁguaàLaser, conforme explica Muriel Ornela, inventor do dispositivo e CEO da Beloar, empresa fabricante do equipamento. “Ao adaptar os bebedouros com o nosso sensor touchless, a necessidade de instalação de pia, dispensador de álcool ou qualquer outra substância sanitizante será eliminada, pois os usuários poderão pegar água em seus recipientes individuais sem precisar tocar em nada. O ÁguaàLaser já é utilizado com eficiência por diversos órgãos públicos, empresas e instituições de ensino”, relata o empreendedor.

Ao instalar o ÁguaàLaser, além de cumprir os protocolos, várias outras doenças, além da Covid-19, também são evitadas. A bióloga, mestre e doutoranda em Imunologia pela UFMG, Ana Clara Matoso, destaca a importância de dispositivos que dispensam o contato físico para evitar contaminações que podem ser prejudiciais à saúde. Ela aponta que a disseminação de microrganismos e a propagação de infecções é preocupante em todo o mundo e, após o início da pandemia do novo coronavírus, têm aumentado o número de diretrizes e legislações para o controle da propagação destas infecções em espaços públicos.

De acordo com a doutoranda, a contaminação por contato pode ocorrer indiretamente por meio de um objeto ou superfícies contaminadas, que funcionam como reservatórios de microrganismos que se espalham por quem entra em contato com ela, principalmente em locais onde passam um alto número de pessoas por dia, como instituições públicas, instituições de ensino e espaços de atendimento à saúde. E os bebedouros por acionamento manual acabam se tornando fontes de contaminação.

Em Belo Horizonte há casos de instituições que adotaram o ÁguaàLaser na estratégia de combate ao novo coronavírus. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Cidade Administrativa do Governo do Estado de Minas Gerais são exemplos de locais que recebem um grande fluxo de pessoas e adaptaram o dispositivo para que não houvesse a interdição dos bebedouros.

Ana Clara relacionou alguns microrganismos encontrados em superfícies e que podem causar doenças graves: Bactérias: Acinetobacter spp. (Infecção do trato respiratório, pneumonia, infecção da ferida, bacteremia) Campylobacter spp. (Gastroenterite - diarreia) Clostridium difficile (Gastroenterite - diarreia, colite pseudomembranosa) Enterococcus spp (Endocardite, meningite, infecção relacionada ao cateter hospitalar) Escherichia coli (Gastroenterite - diarreia, peritonite, infecção do trato urinário) Klebsiella spp. (Infecção do trato urinário, pneumonia, infecção do trato respiratório) Salmonella spp. (Febre entérica, gastroenterite-diarreia) Staphylococcus spp (Gastroenterite-diarreia, infecção de pele, pneumonia, infecção relacionada ao cateter hospitalar) Fungos: Aspergillus spp. (Infecção pulmonar, infecção de pele, infecção do sistema nervoso central, endocardite) Candida spp. (Candidíase oral e vaginal) Vírus: Coronavírus spp. SARS (síndrome respiratória aguda grave) e MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio) Influenza vírus (Gripe) Norovirus (Gastroenterite - diarreia) Rotavirus (Rotavirosos – diarreia aguda)

Inclusão Um desafio enfrentado pelas escolas é a criação de estratégias para se tornarem mais inclusivas. Por mais que o uso da invenção de Muriel Ornela seja mais percebido em razão da pandemia, há outros benefícios importantes, como a melhoria na acessibilidade para pessoas com deficiência. “Além da Covid-19 e prevenção de vírus, o produto atua também na linha do importante assunto que é um dever de todos: contribuir para que a sociedade seja mais inclusiva. Com a liberação do fluxo de água por sensor de aproximação, idosos, cadeirantes e pessoas amputadas poderão consumir água com mais facilidade, visto que só será preciso segurar seu copo ou squeeze à frente da torneira de sensor, sem ser necessário apertar nenhum botão, o que gera mais independência por parte do indivíduo”, exemplifica.

A Beloar desenvolveu três tipos de torneiras com sensor que se adaptam aos principais bebedouros do mercado: bebedouro industrial, bebedouro de pressão e bebedouro acessível. Além disso, a empresa percebeu que poderia criar um adaptador universal para transformar torneiras de banheiros comuns em torneira de sensor, visto quem, de acordo com Muriel Ornela, os produtos semelhantes do mercado são muito caros.

Tecnologia nacional O CEO da Beloar explica que o principal obstáculo tecnológico enfrentado pela equipe foi fazer com que o sensor infravermelho funcionasse no sol, o que é comum em escolas, já que muitos bebedouros ficam em locais que recebem raios solares em algum período do dia. “Começamos a conceber o produto com um sensor que já vinha pronto de fábrica, mas foi preciso criar um próprio, com uma tecnologia e código fonte desenvolvida por nós. Todos os sensores infravermelhos comercializados, inclusive de torneiras de grandes fabricantes nacionais e internacionais, como a XIAOMI, não possuem tal tecnologia e ou não funcionam no sol (não sai água quando o produto está exposto ao sol) ou sai água sem cessar (o sensor aciona sozinho e libera água sem necessidade). Todos esses fabricantes que utilizam esse tipo de sensor nas torneiras orientam que o produto não fique exposto ao sol, mas a maioria dos bebedouros ficam em áreas abertas e não poderia ter essa restrição. Com esse impasse, nossos engenheiros trabalharam muito no laboratório com testes e ensaios e conseguiram chegar em uma variável em que o produto funciona em qualquer ambiente, além de termos conseguido alcançar um custo inferior a qualquer sensor do mercado. Podemos dizer que apesar de ser uma empresa nacional e de pequeno porte, conseguimos superar a tecnologia de grandes indústrias nacionais e internacionais, e viabilizar a prevenção contra a Covid-19 nos bebedouros com um custo acessível”, completa.

Site da empresa: www.beloar.com.br Loja on-line: https://loja.beloar.com.br/ Assessoria de imprensa: Grupo Balo Heberton Lopes – hlopes@grupobalo.com Felipe de Jesus – imprensa@grupobalo.com Plantão 24 horas exclusivo para jornalistas: (31) 9 8988 7616



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Bebedouro acessível com o ÁguaàLaser

Foto: Pedro Brum

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Muriel Ornela, CEO da Beloar, posa ao lado do seu produto

Foto: Heberton Lopes

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Bióloga, mestre e doutoranda em Imunologia pela UFMG, Ana Clara Matoso

Acervo pessoal

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